33º LIVRO DO ANO

O casal que mora ao lado,


 Shari Lapena


Este thriller (policial/psicológico) é um lançamento recente da Editora Record que me chamou muito a atenção pela premissa: um casal, Graham e Cynthia decidem comemorar o aniversário dele convidando para jantar o casal vizinho, Marco e Anne. Marco e Anne são pais da pequena Cora, de seis meses, que teve sua presença “vetada” na comemoração – Cynthia não suporta crianças e quer que seja uma noite "de adultos". Os pais de Cora confirmam a presença, mas na última hora a babá cancela. Anne não quer ir, mas Marco arruma uma solução para o problema: as casas são lado a lado – geminadas, como chamamos aqui;  eles levariam a babá eletrônica e se revezariam de meia em meia hora para ver Cora no berço. Mesmo receosa, Anne acaba aceitando a ideia do marido. Lá pelo início da madrugada, depois de muito vinho e Cynthia flertando descaradamente com o marido, Anne decide que é hora de ir embora. Marco a acompanha, meio a contragosto, mas quando chegam em casa, encontram a porta destrancada e o pior: Cora desapareceu.

Achei o enredo interessante porque me remeteu imediatamente ao caso da menininha Madeleine, lembram? (Resumo rápido: em 3 de maio de 2007, Madeleine McCain, uma garotinha inglesa de 3 anos simplesmente desapareceu do quarto de hotel em que estava dormindo com os dois irmãos mais novos enquanto seus pais jantavam fora na Praia da Luz, região de Algarve em Portugal. Nunca houve solução para o desparecimento, apesar do empenho das polícias dos dois países. Há muito material na internet caso você queira saber mais detalhes, basta dar uma procurada.) Até imaginei que a autora pudesse ter se inspirado nesse caso, o que só aumentou minha curiosidade...

Porém...

Não gostei. Para começar, não há profundidade nos personagens, tudo é muito raso, muito rápido. A escrita é bem simples, parece que alguém está contando a história para a gente, mas sem se preocupar em criar o mistério necessário, apenas narrando acontecimentos. Muitos diálogos, mas tudo escrito de maneira muito simples.

Devo dizer que meu conhecimento em investigações se restringe ao que aprendi lendo reportagens e assistindo CSI – ou seja, quase nulo. Mas até eu que sou leiga consegui perceber falhas graves a partir da chegada da polícia na trama. Eu lia e me perguntava em que momento o personagem X seria interrogado, já que era uma investigação de possível sequestro de um bebê.  A trama parece se desenvolver de forma muito rápida, mas com isso vão ficando pontas soltas pelo caminho que comprometem o desenvolvimento da história, sem contar que desde o início fica meio implícito quem está envolvido no suposto sequestro.

Além disso, eu não consegui me apegar aos personagens! Não tem como defender certas situações que aparecem ali! Não tem desculpa ou justificativa. Mesmo o mistério citado várias vezes sobre o passado de um dos personagens não tem o impacto necessário quando revelado para justificar tanto suspense em torno dele.  Tudo muito fraco, muito superficial... e quando você lê uma frase do tipo “Ela percebe que estava prendendo a respiração e solta o ar” (pág. 180) num thriller policial, caro leitor.... Fuja!

Outro ponto que quero ressaltar é sobre o investigador Rasbach.  Ele sabe tudo, muito misterioso, muito calado, muito compreensivo, muito monossilábico... Muito inverossímil! O típico clichê de investigador criminal de filme hollywoodiano, misterioso mas imbatível. Ele sabe exatamente com quem falar, tem deduções incríveis do nada – ou seja,  ou ele tem uma bola de cristal ou é um gênio incompreendido da polícia! Personagem bem fraquinho... 

E o final... completamente sem pé nem cabeça! Nenhum dos dramas apresentados é solucionado, fica tudo sem um fechamento adequado. Quando  parece que vai acabar bem (sem grandes explicações), a autora resolve colocar um acontecimento totalmente sem sentido apenas com o intuito de finalizar o livro de maneira chocante. Desnecessário.

Não gostei e estou sendo sincera em dizer isso. Claro, você pode ler e tirar suas conclusões, mas se você gosta de thrillers, leia algo do John Verdon ou do Jo Nesbo, que são maravilhosos. #ficaadica

Eu sempre encerro minhas resenhas escrevendo “boa leitura”, mas com essa 💣bomba 💣de história, hoje encerrarei escrevendo...

😬BOA SORTE!😬

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